
E quanto aguenta...
Nem por isso...apenas deveria ser mais humilde aquele que o usa...
AVISO: Não leiam este blogue!!!




Titulo: Ó flor, dá para pôr?
Do alto do andaime, Carlos André e os seus companheiros serventes tinham como passatempo preferido, enquanto efectuavam as tarefas construtivas que a cada um estavam destinadas, a elaboração de piropos para mandar às beldades que por baixo da obra ou à frente desta passavam.
Magras, roliças, altas ou anãs, bonitas ou “escamartilhões”, todas levavam com uma boquinha de fazer corar as bochechas e alguns assobios, tão típicos, duma qualquer obra que por esse Portugal fora se realize. Era uma forma de aliviar o duro trabalho que trolhas, pintores e electricistas tinham a fazer. Não é fácil acartar baldes da massa!
Regra geral, não recebiam respostas aos piropos e sentiam-se protegidos pelas densas redes verdes que tapavam a obra, portanto era costume ouvir-se volta não volta um “olha lá, tu és da tmn? É que esse corpinho é um Mimo”, ou ainda um “com esse corpinho, fazia-te um vestido de saliva!” ou até mesmo um “ó estrela, queres co’meta?”.
Trocadilhos muito belos, que todos os trolhas julgavam ser verdadeiras pérolas para estas raparigas.
Costumavam inventá-los durante as suas horas de devorarem o farnel ou depois destas, quando faziam a digestão à base dum café com cheirinho ou um “copo de três” de vinho tinto, seguido dum bagaço que aconchegava o estômago.
Carlos André era o mais espontâneo, já inventara frases que ficariam para a história e todos gostavam que puxasse pela cabeça de forma a inventar nova chalaça.
As de maior sucesso, “Ó menina, vai para Roma ou vai pa’Parma”, “Ó jóia, anda cá ao ourives” entre outras, eram as mais recentes e que saíam com maior frequência.
Carlos, trolha, homem de 25 anos, solteiro e residente na Madragoa, tinha o secreto sonho de encontrar um dia, alguma catraia que lhe desse resposta à altura e jurara a si mesmo que, no dia em que isso acontecesse, desceria do andaime e abordaria a moça, pois acreditava que essa seria a mulher da sua vida.
Certo dia Leonor, moçoila de 21 primaveras, descia a rua de São Bento, vinda da 1800, pastelaria no Largo do Rato, em direcção à casa de sua avó na castiça Praça das Flores, atrás da assembleia da Republica, quando dum prédio, do seu lado esquerdo, ouve a seguinte declaração de amor:
“Ó flor....dá para pôr”?
Leonor, nariz empinado, confiante e destemida, continua a andar e tenta perceber se o engraçadinho se refere a si.
Ao dar-se conta de que mais nenhuma rapariga compartilhava o passeio ou aquele bocado de rua consigo, Leonor, ao seu bom jeito, sorri. Pára. Dá meia volta e volta atrás, subindo ligeiramente a rua, ficando virada de frente para o prédio, olhando-o.
Tenta, mas não distingue qualquer cara, apenas vultos que riam às gargalhadas, por detrás do verde pano que cobria a fachada da obra, com alguns assobios à mistura e uma música pimba de fundo que tocava na telefonia.
Leonor deixa acalmar a risota dos homens, impávida e serena, e do outro lado da rua grita:
- “Anda cá ó ‘jardineiro’ se queres ver quem te parte esse ‘cagueiro’!!!” – aguarda um pouco e por fim continua o seu caminho, deserta de se rir à gargalhada pela estupefacção e inexistência de comentários ou piropos em resposta! Apenas algumas gargalhadas de escárnio se ouviram quando voltou a andar.
Já perto da Assembleia, mesmo antes de dobrar a esquina que vai dar à Praça das Flores, Leonor sente um vulto a passar por si em corrida, mesmo ao seu lado, desenfreado, apercebendo-se no imediato que de um homem das obras se tratava.
O homem pára a uns dois metros dela, quase estatelando-se no chão com a travagem brusca e olha-a de frente, ofegante, fixamente nos olhos.
- Olá, sou o Carlos, és a mulher da minha vida! Como te chamas linda?
- Oi!? Diz Leonor meio assustada e sem perceber patavina da situação.
- Sou o Carlos André, estou à tua espera desde que comecei a trabalhar nas obras e aviso-te já que é contigo que vou ficar. Como é que te chamas? Diz Carlos ainda ofegante.
- Mas tu és bonzinho dessa cabeça? ‘Deslarga-me da mão masé’! Deixa de ser maluco pá. Conheço-te de algum lado? Reage Leonor.
- Desculpa lá miúda, vou te explicar! Fui eu quem te mandou a boca e tu 'conquistastes-me' ca tua resposta! Deixa-me pagar-te o comer! Imploro-te...
Leonor, meio desconfiada ainda, acede ao pedido do rapaz. O estranho rapaz, que naquele dia com um piropo meio ordinareco lhe conquistou a mão!
Hoje foi o dia do seu casamento, 21 de Agosto de 2010, uma festa de arromba aqui na Praça. Namoram mais ou menos desde essa altura. E eu, ainda pequenino, de mão dada à Leonor, assisti a tudo.
Desde o piropo, ao convite para almoçar, entre muitas outras coisas, naquele dia em que a minha irmã encontrou o amor da vida dela.
E pensar que tudo começou com um “ó flor, dá para pôr”!!!
Por: tomás pimenta da gama



Eu sou uma pessoa de sinais, acredito que (como católico) Deus me vai dando sinais, tal como a vida nos vai fazendo o mesmo. Sinais pouco evidentes e aos quais é preciso estar muito atento para que não nos escapem, não nos passem ao lado. Eu julgo que ando a ser “vitima” desses sinais, mas desta vez penso que não estão a ser assim tão subtis, têm me sido atirados à cara e talvez só eu é que não os vejo.

Esta, tem "dois pesos" na consciência...hehe

Marcel Proust é um dos maiores escritores franceses de todos os tempos. Célebre tanto pela sua obra “Em busca do tempo perdido” como pela descrição do prazer quase erótico de comer “madeleines”, conhecidas em Portugal por...Madalenas...lol...um bolinho em formato de concha que, como é óbvio, também ficou famoso...!
Em meados do ano de 1886, o então jovem Marcel, aquando do festejo do nascimento duma sua prima, é convidado a preencher um questionário, o mesmo a que respondo acima. Proust responde a este questionário em duas alturas distintas da sua vida, uma em menino e outra já adolescente. As respostas do génio da literatura, tornaram o questionário tão famoso que virou uma espécie de padrão até de entrevistas jornalísticas. É um questionário que nos permite em breves instantes, ou não, meditar um pouco nas nossas vidas, nas nossas opções, nas nossas preferências. Ajuda-nos a conhecermo-nos melhor, coisa da qual fugimos a sete pés. Pouca gente gosta de fazer silêncio interior e meditar sobre si próprio!
Será que daqui a uns anos responderei de forma diferente? Só Deus sabe, mas prometo que daqui a uns anos volto a pegar nele!
tomás pimenta da gama.
Depois da Tia Lili Caneças, da Carla Matadinho, entre outras, só faltava mesmo a Ana(conda)Malhoa, O Conde White Castel, o Daniel Nascimento e a nossa querida Floribela!!!Lol...
Não, não vou virar...lol...eles entreteram-se um com o outro e eu fiquei com a Flor...lol...
Tava com vergonha de lhes pedir uma chapa, por isso tirei de "surra", não queria que me vissem a pedir ao Zé pa tirar fotos com ele. Ele bem queria, mas este menino que aqui está não entra nessas aventuras....enfim uma tarde engraçada...
