quarta-feira, agosto 11, 2010

O fio de prata...


Tenho um fio de prata pendurado em mim. Ou por outra, tenho um fio de prata a que estou pendurado. Não na verdadeira acepção da palavra mas, em sentido figurativo, ao que ele representa. Apesar de tudo, esta é uma realidade incontornável bem presente em mim!

Sou sempre eu quem se pendura n'Ele e nunca o contrário!
E quanto aguenta...

Estou pendurado a Ele por um fio? Às vezes sim por culpa minha, mas o tê-lo ao pescoço lembra-me o quanto me liga para além deste fio! É toda uma relação de amor...e é um amor belo! Belo porque vem d'Ele!

Sou-Lhe muito pesado, estou certo... Mas sei que Lhe agrada! Antes pesado que perdido de vez...e afinal, Ele tudo pode e com tudo pode...

Deveria ser mais humilde este fio que é de prata? Talvez de cordel, ou linha?!
Nem por isso...apenas deveria ser mais humilde aquele que o usa...


(Texto escrito de mim, para mim!)

quinta-feira, julho 15, 2010

A primeira carta


“A minha alma está numa tristeza de morte...” (Mt. 25; 13).Foi desta forma que Jesus se dirigiu aos discípulos antes de ir rezar sozinho para o Horto das Oliveiras.Jesus sabia que a sua morte estava para breve, seria capturado nessa noite, condenado e crucificado
no
dia seguinte. Em oração pede ao Pai: “Pai, afasta de Mim este cálice, contudo, faça-se a Tua vontade e não a Minha” (Lc. 22; 42).
“Querida Maria,
Espero que esta carta lhe chegue ao coração.”
Começava assim a carta, com duas das mais conhecidas passagens da bíblia que existem. Uma carta de amor, sentida, desesperada, uma carta que, no fundo, era de esperança, pois o que ele pretendia era que algo dentro dela mudasse.

Começava assim porque, era o que ele rezava no momento e era a estas duas passagens que se tinha agarrado para aguentar este tempo. Começava assim porque…era o que sentia naquele preciso momento.
Precisava de lho dizer. A alma dele também estava numa tristeza de morte, sentia-se a morrer aos bocadinhos.
Combinaram ser sempre sinceros um com o outro e a verdade é que ele não tinha sido a 100%.Agora ia ser muito sincero com ela e dava-lha para que soubesse o que andava a viver nos últimos dias.
Ela conhecia-o, sabia que era orgulhoso e que tinha a mania de se fazer forte, mas ele tinha que confessar o que desde dia 18 de Junho se passava na sua vida.

“Minha querida, eu não gosto de si. Eu adoro-a...e o meu coração não se cansa de mo gritar a alto e bom som. 
Porque é que não lho disse antes? Por achar que estava a fazer bem em deixá-la pensar com mínima influência minha. Agora vejo que errei e que muito provavelmente “chego” atrasado e a perdi para sempre. Estou triste!”
Tiago, referia na carta, sentia que tinha sido feito para amá-la e neste tempo, cada vez mais se vinha a aperceber disso. Talvez ela não tivesse sido feita para o amar a ele, dizia-lhe, mas ele era feliz por ter agora a certeza que precisava, de que foi mesmo feito para a amar. E ia fazê-lo sempre...independente do que ela tivesse decidido, independentemente de ela estar perto, longe, com ele ou com outro - apertava-se lhe o coração só de pensar nisso, mas se ela fosse feliz assim, ele também seria por vê-la feliz.

Não comia, não dormia, não podia ir a lado nenhum porque tudo o fazia lembrar-se dela, era inevitável.

Se isto não era amor, não sabia que outro nome dar-lhe.


“Já viu como eu estou?”, escreveu. “Eu amo-a!”

Amava-a, como nunca na sua vida sonharia amar alguém. Amava como amava os próprios pais ou a sua irmã pequenina.

A
o longo da carta, tentou explicar-lhe que, na verdade, se tinha tentado distrair, que tinha tentado evitar pensar nela e inclusivamente pensou em arranjar outra pessoa que o “distraísse”, mas não tinha dado, não conseguiu. Ninguém chegava à sola dos calcanhares de Maria.

“Eu adoro-a. Tanto.”

Enquanto escrevia, desculpava-se, por apenas lhe estar a dizer tudo agora, provavelmente perdera a oportunidade de a voltar a ter, mas não podia deixar de lho dizer, pois estava a rebentar por dentro e como não se abria com ninguém, ainda lhe custava mais!

Perdera-a, mas pedia a Deus, dentro de si e com todas as forças do seu ser, que “...afastasse de si aquele cálice...”, mas ao mesmo tempo, se desse, que os voltasse a juntar e a fazer felizes.

Será que podiam dar-se ao luxo de desperdiçar uma coisa que lhes havia sido dada por Deus e que os dois sabiam ter sido tão boa, só porque parvos foram e não haviam lutado na altura certa?! Não sabia. Cada vez mais acreditava que não!

Achava que tinham tentado fazer tudo bem, mas que a certa altura haviam “trocado as voltas”..."porque sim", já tinham sido muito felizes um com o outro.

Se não fosse possível ficarem juntos, nem agora nem no futuro...ele aceitaria, “...que se faça a Sua vontade e não a minha...”(!) dizia-lhe, mas sinceramente o que queria mesmo era voltar a imaginá-la mãe dos seus filhos, avó dos seus netos, passar dias no Algarve, Costa Alentejana ou outro lado qualquer com uma família grande à volta...no fundo, o tudo ou nada, desde que juntos. Era mesmo o que mais queria...e rezava por isso.

Escrevia-lhe ainda “a minha alma está numa tristeza de morte”, porque acreditava que deixara passar o tal tempo e que neste momento ela já ultrapassara o sentimento que tinha sentido por ele. E ele sabia ter sido um sentimento forte...porque sentiu-o todos os dias do namoro. Contudo, acreditava mesmo que passara. Houve algumas coisas, reacções, palavras, gestos...que o fizeram acreditar nisso. Mas rezava “Senhor, afasta de mim este cálice”, porque gostava de ter mais uma oportunidade para a fazer feliz. Estando ela em Lisboa, no Brasil ou na “Conchichina”. Era tudo o que mais queria. Dependia de Deus e dela para isso...mas se esta o permitisse...ele lutaria por.

Escreveu-lhe ainda que de qualquer forma, se o que ela queria era acabar tudo o que haviam tido de uma vez por todas, restava-lhe rezar “...que se faça a Sua vontade e não a minha...” e rezar também para que um dia pudesse vir a ser capaz de a fazer muito feliz, não como namorado ou marido, mas como amigo. Era o mínimo que estava à espera, a amizade dela. Pedia-lhe isto pelo ano de namoro e por tudo o que já tinham passado juntos.

Se ela não quisesse, ele aceitaria e afastar-se-ia. Aceitaria e esperaria, quem sabe um dia não viessem a conseguir?

E repetia na carta, que o mínimo por que estava à espera com este “desabafo” em forma de carta era que um dia conseguissem ser amigos.

Não fazia ideia se ela já tinha outro “em vista”, ou se não tinha ninguém, odiava ouvir as pessoas a falar dos dois, porque perguntavam sempre e insinuavam que ela já tinha o tal "outro", que já o tinha trocado (o que lhe custava horrores e engolia em seco), mas queria dizer-lhe que, se tivesse (nem acreditava que estava a escrever isto), preferia sabê-lo por ela. Morreria, de facto era verdade, mas acreditava também que se ela estivesse bem e feliz ele também acabaria por ficar. Ficaria feliz por ela (se a amava, só podia ficar feliz por ela estar feliz, não é?)
A meio da carta, explica-lhe que tem medo de falar com ela. Tinha medo que esta se fartasse dele, como fartou do último namorado e tinha muito medo que o ignorasse como fez com ele. Morria de medo.
L
embrava-se que Maria lhe escrevera uma vez, numa mensagem, que as mensagens dele e os seus telefonemas faziam o seu dia. Ele estava agora disposto a fazer muito mais. A cozinhar, pôr mesas e limpá-las para ela, a levá-la a mariscar sempre que quisesse (um daqueles “vícios” caros que ambos tinham) a fazer os Km’s todos de avião, comboio, carro ou mesmo a pé para ir ter com ela (dois assuntos que levantavam sempre alguma discussão). Tudo isto e muito mais. Porque a amava e porque se apercebera tarde demais de tudo isso. O costume nestas coisas do amor.
Cada vez que via namorados aos abraços e aos beijos, desatava a chorar por dentro, mesmo nas noites ou alturas de maior diversão. Ninguém sabia, ninguém percebia, só ele. Ali.

A partir de agora, dizia-lhe ainda, prometia que iria deixar de ouvir os conselhos espontâneos dos outros (porque muita gente opinava sem que lhes perguntasse nada) e passaria a ouvir mais o seu coração. A partir desta altura, queria “ser mais ele”. Esperava que ela não se importasse, mas ia fazê-lo. É que o seu sofrimento todo estava a tornar o seu coração mais puro, a ver com maior clarividência.

Tiago, acreditava saber o que Maria estava a sentir. Falta de pachorra e de paciência para si, falta de saco. Também já lhe tinha acontecido quando acabara namoros. Mas pelo que tiveram, o ano intenso de namoro, pedia-lhe um bocadinho de esforço.

Como já lhe dissera, não raras vezes, fora de longe a melhor namorada que teve.

terça-feira, abril 06, 2010

Dia da Mulher é quando o Homem quiser!


Porrada... Lá estava ele a encher-lhe a maleta mais uma vez!
Os vizinhos já não aguentavam tanta pancadaria e tanto sofrimento.
Noite após noite, havia gritos e choro que ultrapassava as paredes do prédio. No dia seguinte, as inevitáveis nódoas negras... quando não era um braço ou o nariz partido, a cabeça lascada ou mesmo um traumatismo! Mas ninguém fazia nada. Não havia quem se insurgisse!
Nas escadas do prédio, passava sempre pelos vizinhos de cara em baixo, coitada, dava um “bom dia” envergonhado, pois a impotência face aos actos fazia com que não suportasse o olhar de piedade dos que conviviam com aquela situação, dia após dia, após dia, após dia.
Quase todas as noites levava com cadeiras nas costas ou colheres de pau na cabeça, ou socos, ou bofetadas e pontapés violentos que lhe dilaceravam o corpo e o marcavam exteriormente. Mas era no interior que as marcas mais duravam.

Os vizinhos comentavam uns com os outros e inclusivamente já tinham procurado ajuda para a pobre coitada, mas ela não estava preparada. Quando os serviços sociais lhe bateram à porta, deu graças a Deus interiormente por o marido não se encontrar e “correu” com as simpáticas raparigas que a visitaram assim que lhe foi possível, dizendo que tudo estava bem e que devia haver um engano na morada pois naquela casa tudo se encontrava normal.

Ana Luísa apercebera-se de facto que a “encomenda” vinha dos vizinhos que, tal como ela, já não aguentavam, impotentes, aqueles contínuos maus-tratos.
Ela, por um lado, estava farta de ser saco de pancada e objecto de satisfação das necessidades básicas do marido, António Paulo, mas por outro lado, casara-se nova e sem experiência da vida...e ele dava-lhe casa e não deixava que nada faltasse. Excepto amor!

Queria fugir e não podia, era prisioneira dos seus medos, das suas incertezas. Sofria ainda mais por ser assim...incapaz.

Naquela noite quente de Agosto Ana Luísa não respondeu por si nem foi ela que cometeu o acto.
Após um soco forte que a atordoou e um pontapé nas costas, sentiu-se arrastada para o quarto pela bebedeira do animal.
Atirada para cima da cama, despojada e rasgada, pedia-lhe desculpa, chorava e sentia que estava a ser castigada, sem se aperceber bem por quê. Que mal tinha feito desta vez?!
António Paulo, mandava-a calar, enquanto tirava o cinto, ofendendo-a, e quando o tirou completamente açoitou-a novamente até à iminente inconsciência.
Ana Luísa mal voltara a si e tinha já aquele monstro no meio das suas pernas fracas e doridas. Acordou completamente, com as dores que este lhe provocava e chorava mais alto em silêncio, enquanto era também mordida! As mãos nojentas de António esfregavam-lhe os seios e apertavam-nos, indiferente à dor física que causavam. Violava-a! Penetrava-lhe a carne com a sua, mas mais ainda o espírito lhe roubava, outra vez.

Sem se aperceber como, um extraordinário silêncio envolveu o quarto de repente.
Sentia ainda o nojento em cima de si, mas incrivelmente já não a magoava. Apenas estava.
Livrou-se debaixo do peso morto e notou os milhares de vidros escaqueirados pelo chão.
Ana Luísa nunca mais sofreria.

Por: tomás pimenta da gama
Para: Fábrica de Histórias
http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/


segunda-feira, abril 05, 2010

Páscoa 2010

E foi neste espírito que vivi a minha Páscoa este ano

Rembrandt - The return of the prodigal son.


quarta-feira, março 31, 2010

Fábrica de histórias - Palavras para uma imagem


Titulo: Ó flor, dá para pôr?


Do alto do andaime, Carlos André e os seus companheiros serventes tinham como passatempo preferido, enquanto efectuavam as tarefas construtivas que a cada um estavam destinadas, a elaboração de piropos para mandar às beldades que por baixo da obra ou à frente desta passavam.

Magras, roliças, altas ou anãs, bonitas ou “escamartilhões”, todas levavam com uma boquinha de fazer corar as bochechas e alguns assobios, tão típicos, duma qualquer obra que por esse Portugal fora se realize. Era uma forma de aliviar o duro trabalho que trolhas, pintores e electricistas tinham a fazer. Não é fácil acartar baldes da massa!
Regra geral, não recebiam respostas aos piropos e sentiam-se protegidos pelas densas redes verdes que tapavam a obra, portanto era costume ouvir-se volta não volta um “olha lá, tu és da tmn? É que esse corpinho é um Mimo”, ou ainda um “com esse corpinho, fazia-te um vestido de saliva!” ou até mesmo um “ó estrela, queres co’meta?”.
Trocadilhos muito belos, que todos os trolhas julgavam ser verdadeiras pérolas para estas raparigas.
Costumavam inventá-los durante as suas horas de devorarem o farnel ou depois destas, quando faziam a digestão à base dum café com cheirinho ou um “copo de três” de vinho tinto, seguido dum bagaço que aconchegava o estômago.

Carlos André era o mais espontâneo, já inventara frases que ficariam para a história e todos gostavam que puxasse pela cabeça de forma a inventar nova chalaça.
As de maior sucesso, “Ó menina, vai para Roma ou vai pa’Parma”, “Ó jóia, anda cá ao ourives” entre outras, eram as mais recentes e que saíam com maior frequência.
Carlos, trolha, homem de 25 anos, solteiro e residente na Madragoa, tinha o secreto sonho de encontrar um dia, alguma catraia que lhe desse resposta à altura e jurara a si mesmo que, no dia em que isso acontecesse, desceria do andaime e abordaria a moça, pois acreditava que essa seria a mulher da sua vida.

Certo dia Leonor, moçoila de 21 primaveras, descia a rua de São Bento, vinda da 1800, pastelaria no Largo do Rato, em direcção à casa de sua avó na castiça Praça das Flores, atrás da assembleia da Republica, quando dum prédio, do seu lado esquerdo, ouve a seguinte declaração de amor:
“Ó flor....dá para pôr”?
Leonor, nariz empinado, confiante e destemida, continua a andar e tenta perceber se o engraçadinho se refere a si.
Ao dar-se conta de que mais nenhuma rapariga compartilhava o passeio ou aquele bocado de rua consigo, Leonor, ao seu bom jeito, sorri. Pára. Dá meia volta e volta atrás, subindo ligeiramente a rua, ficando virada de frente para o prédio, olhando-o.
Tenta, mas não distingue qualquer cara, apenas vultos que riam às gargalhadas, por detrás do verde pano que cobria a fachada da obra, com alguns assobios à mistura e uma música pimba de fundo que tocava na telefonia.
Leonor deixa acalmar a risota dos homens, impávida e serena, e do outro lado da rua grita:
- “Anda cá ó ‘jardineiro’ se queres ver quem te parte esse ‘cagueiro’!!!” – aguarda um pouco e por fim continua o seu caminho, deserta de se rir à gargalhada pela estupefacção e inexistência de comentários ou piropos em resposta! Apenas algumas gargalhadas de escárnio se ouviram quando voltou a andar.

Já perto da Assembleia, mesmo antes de dobrar a esquina que vai dar à Praça das Flores, Leonor sente um vulto a passar por si em corrida, mesmo ao seu lado, desenfreado, apercebendo-se no imediato que de um homem das obras se tratava.
O homem pára a uns dois metros dela, quase estatelando-se no chão com a travagem brusca e olha-a de frente, ofegante, fixamente nos olhos.
- Olá, sou o Carlos, és a mulher da minha vida! Como te chamas linda?
- Oi!? Diz Leonor meio assustada e sem perceber patavina da situação.
- Sou o Carlos André, estou à tua espera desde que comecei a trabalhar nas obras e aviso-te já que é contigo que vou ficar. Como é que te chamas? Diz Carlos ainda ofegante.
- Mas tu és bonzinho dessa cabeça? ‘Deslarga-me da mão masé’! Deixa de ser maluco pá. Conheço-te de algum lado? Reage Leonor.
- Desculpa lá miúda, vou te explicar! Fui eu quem te mandou a boca e tu 'conquistastes-me' ca tua resposta! Deixa-me pagar-te o comer! Imploro-te...

Leonor, meio desconfiada ainda, acede ao pedido do rapaz. O estranho rapaz, que naquele dia com um piropo meio ordinareco lhe conquistou a mão!

Hoje foi o dia do seu casamento, 21 de Agosto de 2010, uma festa de arromba aqui na Praça. Namoram mais ou menos desde essa altura. E eu, ainda pequenino, de mão dada à Leonor, assisti a tudo.
Desde o piropo, ao convite para almoçar, entre muitas outras coisas, naquele dia em que a minha irmã encontrou o amor da vida dela.

E pensar que tudo começou com um “ó flor, dá para pôr”!!!

Por: tomás pimenta da gama

sexta-feira, março 26, 2010

Sem Abrigo





"Mais uma vida, que passa a correr.Mais uma ferida, que ficou por ver.Chega à noite no jardim, hoje vai dormir num banco qualquer.Sem amor, sem saída,Esconde o frio numa manta esquecida.Sem calor, já sem vida,Sem saber que chegou o seu dia.
Mais uma história, que ninguém quis ver.
Para quem não olha é fácil esquecer.
Chega à noite no jardim, hoje vai dormir num banco qualquer.
Sem amor, sem saída,
Esconde o frio numa manta esquecida.
Sem calor, já sem vida,
Sem saber que chegou o seu dia.

Sem amor, sem saída,
Esconde o frio numa manta esquecida.
Sem calor, já sem vida,
Sem saber que chegou o seu dia."


Reflexão:
Quando passamos por um sem abrigo, normalmente temos uma de duas reacções possíveis. Viramos a cara e fingimos não ver, como se não existisse! Ou paramos, tomamos atenção, lembramo-nos que está ali uma pessoa que já teve um bilhete de identidade igual ao nosso, que é um ser humano e fazemos algo.
Não podemos ter a pretensão de querer mudar a vida daquela pessoa duma vez, mas o que falta a estas pessoas é a atenção. São pessoas extremamente sós, solitárias.
A nossa importância é sermos especiais no dia dessa pessoa. Termos atenção, perdermos dois minutos a falar com elas e estarmos! Apenas estarmos. Que significa estar a 100%, sem pressas e sem distracções. 2 Minutos fazem a diferença. Que diferença pode fazer no dia destas pessoas...sentirem-se importantes, sentirem-se amadas!

Porque muitas vezes é usado em vícios, custa-nos dar dinheiro?! Tudo bem! Damos uma sopa num café perto.
Custa-nos ver que passam frio ou estão demasiado molhados para passarem a noite em mínimas condições?! Tudo bem! Damos uma camisola que trazemos vestida (temos tantas).
São inúmeras as coisas que podemos oferecer a um sem abrigo que o vão ajudar no imediato e isso importa, mas não nos esqueçamos que o eterno (o que pode fazer diferença ou não no futuro) vale mais e uma palavra de esperança pode fazer ainda mais que uma sopa, um pão ou uma camisola.
Tomás.


terça-feira, janeiro 19, 2010

Exercicio


Um zumbido incessante entupia-lhe os ouvidos e apenas o que ouvia era aquela voz. Rouca e seca.
Ainda não se tinha dado conta que realmente estava vivo. Vivo e bem, excepto a surdez, que era apenas passageira. Quando o choque sonoro é forte pode perder-se a audição, ou pelo menos é essa a sensação.
Haniak aos poucos veio a si, coitadinho, tentando sentir cada parte do seu corpo. Primeiro, os seus pés e mãos em simultâneo, depois a barriga, o pescoço e por fim a cabeça.
Estava bem.
Levantava-se lentamente quando começou a ouvir ao longe os gritos, uns de aflição, outros de ordem, outros de revolta e, concluindo que tudo voltara à normalidade, por fim, abriu os olhos. Era o que sempre lhe custava mais. Abrir os olhos. Tinha medo de os abrir, de ver o que já imaginava pelos gritos do exterior. A devastação.
Começava a habituar-se, apesar dos seus 10 anos.
Mas como pode uma pessoa habituar-se a tanto sofrimento?
É..! É possível e ele, desde os 3 anos, órfão de pais, idade em que começou a ter percepção do que o rodeava, era a prova disso.
A Guerra tinha lhe levado tudo e todos.
Estava só! Especialmente só, desde a partida do avô há uns dois anos atrás, quando um “homem-bomba” se tinha enfiado no mesmo autocarro que o velho.

Titulo:. A voz.

Lista:. (A lista é um conjunto de ideias que ao analisar certa imagem, paisagem, pessoa, acção, etc., me vem à cabeça antes de começar a escrever.); forte, cenário de guerra, depois vendo bem pareceu-me um miúdo pobre com medo do pai; porta; miúdo; tábuas; pedras; barraca; Cabo-Verde; casa sem telhado; preto; branco; medo; pai mau; guerra; choro; Deus.

Por:. Tomás Pimenta da Gama

segunda-feira, março 23, 2009

Sinais de fumo...

Eu sou uma pessoa de sinais, acredito que (como católico) Deus me vai dando sinais, tal como a vida nos vai fazendo o mesmo. Sinais pouco evidentes e aos quais é preciso estar muito atento para que não nos escapem, não nos passem ao lado. Eu julgo que ando a ser “vitima” desses sinais, mas desta vez penso que não estão a ser assim tão subtis, têm me sido atirados à cara e talvez só eu é que não os vejo.

Há umas semanas falei com a minha namorada sobre a possibilidade de irmos para Angola trabalhar. Era uma ideia abstracta e louca que se formava na minha cabeça, mas uma daquelas ideias quase que utópica e que muito provavelmente não passaria de um sonho como tantas outras, mas à qual eu estava a apegar-me com facilidade graças ao meu espirito sonhador, aventureiro e inconsciente!

Isto passava-se a 1ª semana de Março (2009), e foi qualquer coisa falada por alto com a Joana, tipo: “...ah e tal era giro irmos para Angola os dois trabalhar...”!
Para ser sincero, nunca mais pensei no assunto!

Na 2ª semana de Março, ela informa-me que falou sobre essa possibilidade com os pais, à qual responderam muito positivamente.
Mas eu, qual sonhador, dizia-lhe que sim, que também queria e pensava a sério nisso, mas no fundo punha a hipótese “lá...” muito longe das minhas prioridades. Claro que ela percebeu e me chamou a atenção (quase deu em discussão, com ela a acusar-me e bem, de eu não pensar nisto com seriedade e como uma hipótese real), pedindo-me que enviasse uma mensagem através do facebook para os meus amigos que lá trabalhavam de forma a me explicarem um bocadinho como era aquilo. Enviei! Estávamos no dia 16 de Março Segunda-feira. (1º sinal).

No dia 18 de Março (o dia dos dias), abro o meu facebook e recebo a minha primeira resposta, dum amigo que vive em Luanda há cerca de 2 anos, o Miguel Ferreira, que me responde a todas as perguntas que eu havia feito (cheio de piada como é seu apanágio) e que me dá algum animo, pois oferece-se para me colocar o curriculum em circulação nas empresas de lá (2º sinal).

Enquanto vagueava pelo facebook, reparo nos meus amigos que fazem anos, e decido enviar uma mensagem a cada um pelo dia que festejam. Um destes amigos, era o Pedro Froes, que conheço desde miúdo de S. Martinho do Porto e que estudou comigo nos tempos da Faculdade, mas a esse já lá vamos.
A certa altura deparo-me com o link para um artigo escrito pelo irmão do Vasco Fernandes Thomaz, que é sócio de uma agência de publicidade que cada vez tem tido maiores sucessos no país, onde dizia que a Partners, empresa de que é dono, iria abrir juntamente com um parceiro angolano, uma empresa em Angola. A MSTF Partners Angola. (3º sinal e eu à nóia, sem se quer reparar que as coisas me iam sendo atiradas à cara numa sucessão de felizes, ou estranhos, acasos).

Por graça, escrevi na minha página do facebook uns minutos antes, na barra de estado: - “in my mind is Angola, why not?!”

Acabo de ler o artigo e recebo uma mensagem de volta do Pedro, a agradecer ter-lhe dado os parabéns e a perguntar se eu também ia para Angola, a perguntar-me que história era essa. Fiquei parvo, não fazia ideia que ele tencionava ir para lá, e achei piada à coincidência, mas não respondi logo e fui almoçar. (4º sinal?!?!?!).

Fui almoçar a casa dum amigo meu onde costumo ir muito, o João Cabral, e por mais um acaso, falou-se numa prima dele que foi para Luanda com o marido e que estava de volta por qualquer razão de saúde. Perguntei à tia Rita algumas coisas sobre esse assunto e disse-lhe que estava a pensar ir com a minha namorada para lá. De repente a mãe do João, dá-me para a mão uma revista (a Visão) que por acaso eu não tinha comprado por ter achado a capa da Sábado mais interessante nessa semana. O artigo central tinha como titulo: “Vamos todos para Angola” relativo à expatriação de portugueses para aquele país. Comecei a desconfiar que aquilo já eram coincidências a mais para um dia só e parei um bocadinho para pensar. Escusado será dizer que devorei o artigo publicado. (5º sinal)

Resolvi então enviar uma mensagem ao tal amigo, o Vasco, a perguntar o que se ia passar em Angola com a empresa deles ao que ele me responde que era verdade, que iam abrir lá e que quem ia para director geral da empresa era o Pedro Froes, esse mesmo! Bom, caiu-me tudo. (6º sinal e eu já pleno de consciência que algo de estranho me estava a ser “indicado”).

Agradeci ao Vasco e imediatamente mandei nova mensagem do facebook para o Froes entre outras coisas a pedir-lhe o número de telefone, para me aconselhar com ele sobre Angola. Não queria acreditar na quantidade louca de coincidências que se estavam a passar diante da minha vida.

Liguei-lhe no dia 19 de Março ao fim da tarde, e tive uma conversa que embora tenha sido rápida, foi das mais esclarecedoras, para o sentido do “ir”, com ele a dar a maior força a esta minha loucura e a disponibilizar-se para toda a ajuda que eu precisasse daqui em diante. (7º sinal).

Passaram-se dois dias, quase três, até pensar em Angola novamente com a mesma seriedade.

Domingo, confesso que sem muita vontade e cansado do fim-de-semana, fui para a missa das Escravas na Lapa e sentei-me na última fila, encostado à parede do fundo da igreja.
De repente (coincidência maior e 8º sinal) entra o Pedro Froes na igreja. Claro que me voltaram esses pensamentos de Angola novamente e pensei falar com ele mais um bocadinho no fim da missa.
Estávamos na homilia, quando o Padre fez referência à visita do Papa a Angola (9º sinal), e novamente comecei a pensar na série de coincidências que nos últimos dias assaltavam a minha vida e, meio sem convicção, pedi a Deus ajuda e perguntei-Lhe o que queria Ele de mim. Pedi-Lhe para até ao final da missa, se realmente fosse essa a Sua vontade, que me desse mais um sinal, o 10º sinal (como se não bastassem já!), pedi-Lhe uma coisa em concreto, pedi que o Padre falasse mais uma vez em Angola até ao final da celebração para eu ter mais certeza ainda de que estes eram os desígnios d’Ele para mim...

...E não é que o Padre falou mesmo?!

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Há 26 anos a andar na festa!!!

Eventos históricos
1308 - Eduardo II, um dos responsáveis pela divisão do Parlamento britânico entre a Casa dos Lordes e Casa dos Comuns, é coroado Rei.
1551 - Criação da Diocese de São Salvador da Bahia, pelo Papa Júlio III,
1570 - O Papa Pio V excomunga a rainha Isabel I de Inglaterra
1836 - É patenteado o primeiro revólver, pelo norte-americano Samuel Colt.
1870 - Nos EUA, Hiram R. Revels, um membro do Partido Republicano, representando o estado do Mississipi, é o primeiro negro a ser eleito para o Senado. Ele assume o seu posto ao jurar servir no mandato provisório em substituição do Senador Jefferson Davis.
1947 - O Governo português determina que cessem as restrições ao consumo de energia eléctrica, em vigor desde a Segunda Guerra Mundial.
1961 - É assinado o contrato para a construção da Ponte sobre o Tejo António de Oliveira Salazar, em Lisboa, com a United States Steel Export Company.
1991 - Guerra do Golfo: Um missil Scud iraquiano atinge uma base militar americana em Dharan na Arábia Saudita matando 28 marines norte-americanos durante a Guerra do Golfo.
1993 - Kim Yong-sam é eleito Presidente da Coreia do Sul, o primeiro civil a ocupar o cargo.
2005 - Rússia e Irão assinam um acordo de fornecimento de combustível nuclear russo para a futura central nuclear iraniana.

Nascimentos
1643 - Ahmed II, sultão otomano (m. 1695)
1841 - Pierre-Auguste Renoir, pintor impressionista francês (m. 1919).
1842 - Karl May, escritor alemão (m. 1912).
1855 - Cesário Verde, poeta português (m. 1886).
1888 - John Foster Dulles, secretário de estado norte-americano e director da CIA (m. 1959).
1891 - Alfredo Marceneiro, fadista português (m. 1982)
1896 - Alberto da Veiga Guignard, pintor brasileiro (m. 1962)
1902 - Oscar Cullmann, teólogo francês. (m. 1999)
1917 - Anthony Burgess, escritor britânico, Laranja Mecânica, (m. 1993).
1943 - George Harrison, cantor, músico e ex-integrante dos Beatles, (m. 2001)
1944 - António Damásio, neurologista e neurocientista português
1953 - José María Aznar, político espanhol
1981 - Park Ji-Sung, futebolista sul-coreano do Manchester United.
1982 - Tomás Pimenta da Gama, Rei e Senhor, Portugal.

Falecimentos
1558 - Leonor de Áustria, rainha de Portugal e França (n. 1498)
1577 - Erik XIV, rei da Suécia (n. 1533)
1945 - Mário de Andrade, escritor brasileiro (n. 1893)

Feriados e eventos cíclicos
Santa Valburga: virgem e abadessa nascida em Wessex (n. 730) e (m. 799).
Antigo Egito: dia de Nut, deusa do céu e guardiã das estrelas.
Dia da pátria no Kuwait
.
Santos do dia
Santa Valburga; Santo Tarásio; Domingos Lentini.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Sou um puto irresponsável...


Comecei a trabalhar.
Já trabalhei antes, mas agora é mesmo a sério.
Supostamente passei para um outro patamar da minha vida. Um patamar em que recebo um ordenado, em que tenho que manter uma certa postura e em que tenho responsabilidades que não tinha antes.
Em todos os trabalhos que já fiz, sempre tive um certo grau de responsabilidade, é certo, mas agora há coisas que dependem mesmo do meu bom ou mau desempenho. Sou o responsável pela fluidez da área de Marketing e Publicidade duma empresa e tudo o que faço se repercute noutras actividades/áreas que são importantes para essa empresa.
O estranho disto é que, e ao contrário da maioria dos meus amigos que já começaram a trabalhar à séria, eu sinto-me o mesmo puto irresponsável que me sentia quando os trabalhos que realizava não passavam de promoções ou coordenação de trabalhos de “hospedeiras”.
Tenho que manter a tal postura mais séria e calma (os meus colegas não me conhecem mesmo) mas no fundo é uma postura que não é bem a minha.
Não consigo deixar de pensar que só trabalho para viver! Há aqui gajos que vivem para trabalhar.
Eu não! Eu continuo a querer é festa, rebuliço, forrobodó!
Ando a reprimir durante toda a semana esta ânsia infantil de gritar, falar alto, “apalhaçar”, preciso mesmo das “minhas parvoíces”, a minha vida gira em torno de parvoíces, é assim que gosto de viver.
O Ordenado sabe-me bem, ó se sabe. Mas sinto-me a viver uma vida que não é a minha e ainda não percebi se estou feliz.
Não faço tudo o que gosto, mas gosto de tudo o que faço, apenas não percebi se é mesmo este o meu caminho.
O Arco Íris tem muitas cores que vão do mesmo ponto de partida ao mesmo ponto de chegada (a minha realização), sendo cada cor um caminho, ainda não percebi se estou na cor certa. Umas são mais rápidas outras mais compridas mas sei que, independentemente da cor em que me encontrar, vou lá chegar e encontrar o meu pote de ouro.
Chego ao fim-de-semana e solto-me...Sou mais EU!

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Armandinho - Desenho De Deus

Quando Deus te desenhou,
Ele tava namorando.
Quando Deus te desenhou,
Ele tava namorando.
Na beira do mar,
Na beira do mar do amor.
Na beira do mar,
Na beira do mar do amor.

Papai do céu na hora de fazer você,
Ele deve ter caprichado pra valer,
Botou muita pureza no seu coração,
E a sua humildade fez chamar minha atenção.
Tirou a sua voz do própolis e mel,
E o teu sorriso lindo de algum lugar do céu,
E o resto deve ser beleza exterior,
Mas o que tem por dentro para mim tem mais valor.

Quando Deus te desenhou,
Ele tava namorando.
Quando Deus te desenhou,
Ele tava namorando.
Na beira do mar,
Na beira do mar do amor.
Na beira do mar,
Na beira do mar do amor.

Papai do céu na hora de fazer você,
Ele deve ter caprichado pra valer,
Botou muita pureza no seu coração,
E a sua humildade fez chamar minha atenção.
Da estrela mais bonita ao brilho desse olhar,D
iamante verdadeiro sua palavra foi buscar,
O resto deve ser, beleza exterior,
Mas o que tem por dentro para mim tem mais valor.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Já estava na altura...





Um dia o amor virou-se para a amizade e disse:

- Para que existes tu se já existo eu?

A amizade respondeu:

- Para repor um sorriso onde tu deixaste uma lágrima.

Sem tirar nem pôr! Eu!


LÁRANJINHA
Já é, ou já era?

segunda-feira, dezembro 03, 2007

quinta-feira, novembro 29, 2007

Realidades...


...pode ser! Mas se visses pelos meus olhos ou através deles, também te apaixonarias...

terça-feira, maio 22, 2007

Os "sus-peitos" do costume...neste caso as suspeitas...!

As policias aeroportuárias andam cada vez mais atentas aos seios femininos brasileiros que por esse Portugal fora chegam.

Pois é parece que a policia anda a investigar suspeitas de transporte de cocaína do Brasil para o nosso país, nada mais nada menos que, implantados nos peitos das nossas "irmãs" (ou primas) brasileiras.


Ao que parece, estas nossas parentes aceitam subemeter-se a cirurgias aos seios, não para os aumentar com sacos de silicone, mas para os encherem com sacos de cocaína, passando assim despercebidas nas alfandegas dos países europeus.


Ou seja, metem droga em vez de silicone, entram em Portugal, fazem a operação para extrair o produto e ficam por cá alegres e contentes sem que lhes pese a consciência. Está certo, é inteligente de facto.


Sorte da nossa policia que vai ter que andar de olho no assunto...esperamos que nenhum "sus-peito" entre no nosso país sem ser revistado manualmente pelos nossos tão bem preparados e atentos agentes da lei.

Esta, tem "dois pesos" na consciência...hehe

terça-feira, maio 15, 2007

PORQUE É QUE "TUDO JUNTO" SE ESCREVE SEPARADO E "SEPARADO" SE ESCREVE TUDO JUNTO???

segunda-feira, maio 07, 2007

terça-feira, abril 10, 2007

Bebedos conhecidos...


Porque é que os Alcoólicos Anónimos não se chamam antes Bebedos Conhecidos?
Porque é que se chama Alcoólicos Anónimos quando a primeira coisa que fazemos é dizer:
- "O meu nome é Zé e sou alcoólico!"...Porquê?

segunda-feira, março 26, 2007

Desenvolver a criatividade...


“Quando as crianças vão para a escola, são pontos de interrogação; quando saem, são frases feitas”. Neil Postman (educador).
Esse pequeno trecho a seguir, retirado do livro: Um “toc” na cuca, ed. São Paulo, ilustra exactamente onde ocorre essa mudança.
“Quando eu estava no meio do curso, o meu professor de inglês fez uma pequena marca de giz no quadro-negro.
Ele perguntou à turma o que era aquilo. Passados alguns segundos, alguém disse: ’É uma marca de giz no quadro-negro’. O resto da classe suspirou de alívio, porque o óbvio foi dito e ninguém tinha mais nada a dizer. ‘Vocês me surpreendem’, disse o professor, olhando para o grupo. ‘Fiz o mesmo exercício ontem, com uma turma do jardim da infância, e eles pensaram numas cinquenta coisas diferentes: o olho de uma coruja, um insecto esmagado e assim por diante. Eles realmente estavam com a imaginação a todo vapor’.
Nos dez anos que vão do jardim da infância ao liceu, nós tínhamos aprendido a encontrar a resposta certa, mas também havíamos perdido a capacidade de procurar outras respostas certas e perdido muito em capacidade imaginativa”.

Decidi fazer o mesmo exercício e imaginar outros significados para este “ponto branco num fundo preto” e as conclusões foram as seguintes: O ovo dum insecto; o planeta Vénus numa noite nublada ou escura; uma luz ao fundo do túnel; a vista dum monóculo virado ao contrário; um ponto final a jogar ao quarto escuro; uma gota de tinta no alcatrão; uma lanterna no meio da escuridão do mato; uma tecla de computador com um ponto final; um pirilampo; a luz de presença da cana dum pescador; um barco de pesca em alto mar; um grão de sal grosso numa frigideira preta; etc.

Desafio todos os que queiram a deixar aqui a sua opinião. Serve de pouco, mas é um bom exercício para estimular a criatividade.

tomás pimenta da gama.

terça-feira, março 13, 2007

Questionário de Proust por: tomás pimenta da gama


1Onde gostaria de viver?
Lisboa, uma boa casa no centro de Lisboa.
2Qual o seu ideal de felicidade na terra?
Santidade.
3Por que faltas tem mais indulgência?
Maledicência.
4Quais os seus heróis de ficção preferidos?
Dr. House, Homem Aranha e SonGoku.
5Qual o seu personagem histórico preferido?
Jesus Cristo.
6As suas heroínas preferidas da vida real?
A minha querida mãezinha.
7As suas heroínas na ficção?
Sydney Bristow “A Vingadora”.
8Qual é o seu pintor preferido?
Gustav Klimt e Leonardo Da Vinci.
9Qual é o seu músico preferido?
Jack Johnson.
10Que qualidade prefere no homem?
Fé e carácter.
11Que qualidade prefere na mulher?
Fé e feminilidade.
12Qual é para si a maior virtude?
Fé.
13Qual a sua ocupação preferida?
Estar com os amigos e “amar”...hehe.
14Quem gostaria de ter sido?
Tomás de Aquino ou António de Bulhão.
15Qual é o principal traço do seu carácter?
Amigo e Bom.
16O que aprecia mais nos seus amigos?
Entrega.
17Qual é o seu principal defeito?
Egocentrismo e preguiça.
18Qual é o seu sonho de felicidade?
Santidade.
19Qual seria para si a maior da desgraças?
Ausência de Deus.
20O que gostaria de ser?
Santo.
21Que cor prefere?
Verde.
22Qual a flor de que mais gosta?
Malmequer e Gerebéra.
23Que ave prefere?
Abetarda e Falcão peneireiro.
24Os seus autores preferidos em prosa?
Sándor Márai, Arthur Golden, Robert Alexander e João César das Neves.
25Os seus poetas preferidos?
Fernando Pessoa e Álvaro de Campos.
26Os seus heróis na vida real?
Paizinho e Papa João Paulo II.
27As suas heroínas na história?
Virgem Maria.
28Os seus nomes favoritos?
Tomás Maria, António Maria, Luís Maria, Maria do Mar, Maria Clementina, Caetana Maria, Constança Maria...entre outros “Marias”...
29O que detesta acima de tudo?
O pecado, principalmente quando é o meu!
30Os caracteres históricos que mais despreza?
Todos os genocídios, as grandes guerras mundiais, a Inquisição e vários aspectos do 25 de Abril de 74.
31O feito militar que mais admira?
Restauração da Independência.
32A reforma que mais admira?
O Catolicismo.
33Qual o dom da natureza que gostaria de possuir?
Voar. Sem ser da natureza, gostava de saber "o que as mulheres querem!".
34Como gostaria de morrer?
Rapidamente e de Velho.
35Defina o seu presente estado de espírito!
Calmo e apaixonado, porque a vida é a coisa mais linda e mais bela...lol
36Qual é para si o cumulo da indigência?
Miséria Moral.
37Qual o seu lema?
Não faço tudo o que gosto, mas gosto de tudo o que faço...e...”trabalha como se tudo dependesse de ti e confia como se tudo dependesse de Deus”.


Marcel Proust é um dos maiores escritores franceses de todos os tempos. Célebre tanto pela sua obra “Em busca do tempo perdido” como pela descrição do prazer quase erótico de comer “madeleines”, conhecidas em Portugal por...Madalenas...lol...um bolinho em formato de concha que, como é óbvio, também ficou famoso...!

Em meados do ano de 1886, o então jovem Marcel, aquando do festejo do nascimento duma sua prima, é convidado a preencher um questionário, o mesmo a que respondo acima. Proust responde a este questionário em duas alturas distintas da sua vida, uma em menino e outra já adolescente. As respostas do génio da literatura, tornaram o questionário tão famoso que virou uma espécie de padrão até de entrevistas jornalísticas. É um questionário que nos permite em breves instantes, ou não, meditar um pouco nas nossas vidas, nas nossas opções, nas nossas preferências. Ajuda-nos a conhecermo-nos melhor, coisa da qual fugimos a sete pés. Pouca gente gosta de fazer silêncio interior e meditar sobre si próprio!

Será que daqui a uns anos responderei de forma diferente? Só Deus sabe, mas prometo que daqui a uns anos volto a pegar nele!

tomás pimenta da gama.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Quero dormir contigo, és a minha "fada"...

Minha querida, deixa-me agarrar-te, abraçar-te, ficar aqui, colado a ti. Às vezes babo-me e a culpa é tua, só tua. Tão fofinha, estás sempre na minha cabeça. És a minha companheira de cama, a minha “fada”, adoro dormir contigo.
Quero-te comigo em todas as camas por esse mundo fora. Contigo eu sonho!
És tu quem me conforta nas noites de solidão, só tu sabes todos os meus segredos, é em ti que deixo cair as minhas lágrimas. Adoro-te almofada!!!








quarta-feira, janeiro 17, 2007

Preto e Branco!

Há coisas incriveis na linguistica!
Em Portugal dizemos negro, no entanto, nos "States" dizer nigger é uma grande ofensa! Eles lá dizem preto (p.ex. "black people music" e não acham ofensivo)!

Ora bem, se eu que tenho vários amigos pretos, lhes chamar "pretos" eles não se ofendem (tipo: "ó preto anda cá..."). Mas há aqueles a quem faz a maior confusão.

Eu sei que cá, preto pode ser muito mais ofensivo que negro, mas mesmo assim faz me confusão "eles lá" dizerem black e nós não. Se um preto me chamar cor-de-rosa eu não adoro, é certo, até pk sou muito mais branco (ou beije se preferirem) do que cor-de-rosa, mas caguei e andei.

Para mim é mais ofensivo chamar um preto de negro ou de "africano" (quando muitas vezes de africano já só têm os trisavós e a cor que hereditariamente lhes "calhou") do que preto com todas as letras.

Discuti outro dia isto com um amigo preto, dos que não se importam que lhes chamem assim e ele também não percebe o complexo que certos pretos têm com essa denominação. Ele diz que pior ainda, tal como para mim é mau chamarem-me de beije, para ele o pior é chamarem-lhe castanho.

O que eu vim a descobrir é que toda esta história do "preto" ser ofensivo, vem dos tempos coloniais e ainda não "sarou". Eles eram assim tratados e dai o desgosto por esta forma de os chamar. Pois eu vou continuar...se me quiserem chamar branco, beije, cor-de-rosa, caucasiano ou outra coisa qualquer chamem-me!

terça-feira, janeiro 16, 2007

segunda-feira, dezembro 04, 2006

A minha opinião sobre o aborto é:

Caros amigos, depois do comunicado do Presidente da Republica, Aníbal Cavaco Silva, ao referendo sobre o aborto, ou a “interrupção voluntária da gravidez” como gostam de lhe chamar, decidi informar-me legalmente e comentar os pontos do Código Penal para tentar esclarecer algumas pessoas que já me questionaram sobre o tema.

A pergunta é: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas dez primeiras semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”

Não sei se têm paciência para ler, mas aqui fica para os interessados a opinião de uma pessoa que respeita todas as opiniões, concordando apenas com esta.

CAPÍTULO II
Dos crimes contra a vida intra-uterina

Artigo 140º
Aborto

1 - Quem, por qualquer meio e sem consentimento da mulher grávida, a fizer abortar é punido com pena de prisão de 2 a 8 anos. (Bom isto é lógico, o que seria…)

2 - Quem, por qualquer meio e com consentimento da mulher grávida, a fizer abortar é punido com pena de prisão até 3 anos. (Até devia ser punido com mais anos. Os médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde, não sei se é do conhecimento geral, fazem um juramento de salvação da vida humana sem excepção, logo deveriam deixar de fazer abortos, é “ilógico” e o pior é que cientificamente está provado que a há vida desde o inicio)

3 - A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos. (Concordo plenamente, mas tenho uma opinião muito fundamentada relativamente a este assunto, mas explano mais adiante, nos outros pontos à frente)

Artigo 141º
Aborto agravado

1 - Quando do aborto ou dos meios empregados resultar a morte ou uma ofensa à integridade física grave da mulher grávida, os limites da pena aplicável àquele que a fizer abortar são aumentados de um terço. (Claro, se é considerado crime, então tem toda a lógica que assim seja, mas se a opção foi tomada pela mulher então também ela deve ser punida e talvez o namorado ou marido ou a “curte” da mulher também, pelo simples facto de permitir o aborto. Vivemos na sociedade da desresponsabilização, se uma pessoa vai para a cama, faz amor, sexo, o que seja, com outra e não se previne antecipadamente (o que também condeno) tem obviamente que se responsabilizar pelos actos cometidos, infelizmente cada vez se vê menos isto.)

2 - A agravação é igualmente aplicável ao agente que se dedicar habitualmente à prática de aborto punível nos termos dos nºs 1 ou 2 do artigo anterior ou o realizar com intenção lucrativa.

Artigo 142º
Interrupção da gravidez não punível

1 - Não é punível a interrupção da gravidez efectuada por médico, ou sob a sua direcção, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mulher grávida, quando, segundo o estado dos conhecimentos e da experiência da medicina:

a) Constituir o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida; (Se não houver esperanças de vida para a criança, então até concordo, mas se há possibilidades da criança nascer e desenvolver-se eficiente ou deficientemente, então não posso concordar, mais vale salvar uma vida que está no seu inicio, que uma em fase de maturidade, na minha opinião)

b) Se mostrar indicada para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida e for realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez; (sublinho o que escrevi na anterior)

c) (*) Houver seguros motivos para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, comprovadas ecograficamente ou por outro meio adequado de acordo com as leges artis, excepcionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo; (Concordo plenamente, excepto no caso de grave doença e malformação congénita. Então quer dizer que a mulher pode abortar se, previsivelmente, o filho nascer deficiente! Sim senhor, muito bem, mas então uma mulher que vá a passear o seu bebé de digamos 4 anos, num carrinho de bebés e atravessar uma rua e por azar vier um camião em excesso de velocidade e atropelar o bebé, deixando-o com danos irreparáveis, quer físicos quer mentais, pode igualmente a sua mãe enviá-lo para “abate”? Se eu tiver um filho, e se lhe acontecer alguma desgraça durante o seu crescimento, seja ficar sem um braço ou uma perna, seja ficar paraplégico ou ter um esgotamento irreversível, não vou deixar de o amar, não vou deixar de lhe tentar proporcionar toda a felicidade do mundo. Como é que, por saber em antemão, ou “ecografícamente como dizem, que o meu bebé vai nascer deficiente, como é que lhe posso negar o direito à felicidade e ao amor? Só um grande egoísta que pensa no sacrifício que seria criar um “ser” destes o faria. Dá trabalho, pois dá, todos os filhos dão. Talvez dê menos que um filho que se meta na droga)

d) (*) A gravidez tenha resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas. (Devo começar por dizer que defendo a vida humana sobre todas as coisas por isso, a meu ver e nunca tendo passado pela experiência, só vou supor o que faria no caso duma filha minha ser violada. Em primeiro lugar capava o sacana que lhe tinha feito uma coisa dessas, depois batia-lhe e fazia-lhe todo o tipo de maldades que pudesse, menos matá-lo. Em segundo, a decisão nunca seria minha, mas, pediria à minha filha que tivesse a criança. Se ela não conseguisse suportar a dor de ter que conviver com uma criança fruto de maus tratos sofridos e violação, eu próprio tentaria “adoptá-la” e criá-la como se de um filho se tratasse, com todo o amor. Em último caso, se eu próprio não conseguisse aguentar esse sofrimento, pediria à minha filha que a pusesse no mundo e o entregasse a uma instituição de acolhimento de crianças para adopção. Acham mau?! Eu não! Nem todas as instituições são como a Casa Pia e de alguma forma estaria a dar a essa criança a oportunidade de ser feliz um dia (talvez não no principio da sua vida, por ser “abandonado”, mas quando tivesse idade para casar e ter filhos e aí sim, ser feliz em família, o que ele nunca teria tido em criança)).

2 - A verificação das circunstâncias que tornam não punível a interrupção da gravidez é certificada em atestado médico, escrito e assinado antes da intervenção por médico diferente daquele por quem, ou sob cuja direcção, a interrupção é realizada.

3 - O consentimento é prestado:
a) Em documento assinado pela mulher grávida ou a seu rogo e, sempre que possível, com a antecedência mínima de 3 dias relativamente à data da intervenção; ou

b) No caso de a mulher grávida ser menor de 16 anos ou psiquicamente incapaz, respectiva e sucessivamente, conforme os casos, pelo representante legal, por ascendente ou descendente ou, na sua falta, por quaisquer parentes da linha colateral.

4 - Se não for possível obter o consentimento nos termos do número anterior e a efectivação da interrupção da gravidez se revestir de urgência, o médico decide em consciência face à situação, socorrendo-se, sempre que possível, do parecer de outro ou outros médicos.

(*) Redacção da Lei nº 90/97, de 30-07

Aqui fica a minha opinião de cidadão consciente e não influenciado por tendências partidárias, apesar de me considerar uma pessoa de direita, nem religiosas, apesar de ser católico, apostólico, romano. Esta é a opinião duma pessoa que adora a vida e que a defende acima de tudo. Para esta análise, tentei abstrair-me da minha religião (sabendo que totalmente é sempre impossível dado que inconscientemente estou marcado pela mesma) e pensar logicamente sobre este assunto que tanta polémica levanta. Não é uma questão religiosa ou partidária, é uma questão humana e científica (já que está provado que desde muito cedo são emitidas ondas cerebrais pelo feto)
Saiba-se que estou totalmente contra a actual lei da interrupção voluntária da gravidez, mas para a alterar para pior, ainda mais contra estou. Não é a lei que está errada, a actual, são todas as que possibilitem a desresponsabilização da sociedade em que vivemos. Começamos pelo aborto e qualquer dia as pessoas andam armadas (legalmente) de pistola em punho, porque têm medo que lhes façam mal e aí voltamos aos tempos dos cowboys, Portugal vira Faroeste. O medo destrói as sociedades. Mas tentar combater esse medo com violências acho igualmente mau. O cidadão tem que se responsabilizar pelos seus actos. Sempre, em todas e quaisquer situações. Se há fecundação, tem que haver nascimento. O aborto, não é um método anti conceptivo. É um crime e crime deverá continuar. Por mais que um crime se realize, não é motivo para o descriminalizarmos. Vejamos, se as burlas fiscais são proibidas, por mais que aconteçam, deverão continuar a ser consideradas crime. Logo, com o aborto passa-se o mesmo, por se realizarem cada vez mais abortos ilegais, não deve a sociedade abstrair-se desse facto e passar a considerá-lo como “não crime”, porque coitadinhas das mulheres que o fazem sem condições nenhumas. Se ficaram à espera de bebé, então tenham o filho ou habilitem-se às consequências do aborto.

Caso surjam duvidas, basta perguntarem que eu respondo.



tomás pimenta da gama

quinta-feira, novembro 16, 2006

Fui trabalhar para a Parada da Sic no seu aniversário e vejam bem com quem eu estive...lol

Depois da Tia Lili Caneças, da Carla Matadinho, entre outras, só faltava mesmo a Ana(conda)Malhoa, O Conde White Castel, o Daniel Nascimento e a nossa querida Floribela!!!Lol...

Não, não vou virar...lol...eles entreteram-se um com o outro e eu fiquei com a Flor...lol...

Tava com vergonha de lhes pedir uma chapa, por isso tirei de "surra", não queria que me vissem a pedir ao Zé pa tirar fotos com ele. Ele bem queria, mas este menino que aqui está não entra nessas aventuras....enfim uma tarde engraçada...

terça-feira, setembro 26, 2006

Obrigado Mafalda!


Não sei sobre o que vou escrever, são 2:45 da manhã e cheguei agora a casa.
Apeteceu-me escrever, mas não tenho um tema definido ou escolhido. Apetece-me começar a escrever todas as estupidezes que me vêm à cabeça, mas acho realmente estúpido fazê-lo.
Estou a ouvir a Mafalda Veiga, que ainda é minha parente, porque o pai dela é irmão dum que por sua vez é filho de outro, que por sua vez é filho de outro (por incrível que pareça), que é filho de outro e por ai em diante até chegar a algum “quadrétratrizavô” (lol) meu que descendo a “escada” genealógica vem dar ao meu avô, que por sua vez vai dar ao meu pai e que, ainda mais incrível, vem dar a mim.
Uma grande artista, mas só a estou a ouvir porque, por acaso, encontrei por aqui por casa este cd durante as arrumações a que a minha mãe me obrigou a quando da minha chegada de nova aventura por terras Cabo-Verdianas.
Ela diz que: “Se me sentir perdido numa noite assim, em que as estrelas se misturam pelo chão, com o vento e a poeira (muito gosta ela de falar da poeira e do restolho), as lembranças e os cansaços que me fazem procurar o meu lugar. Se me sentir perdido numa noite assim, à deriva pelo meio da multidão, sem saber qual é o caminho certo e o momento de parar e ouvir a voz do meu coração. Pode ser que encontre no olhar de alguém, o meu mundo perdido, a cor do meu céu, uma chama que a Lua faz dançar no escuro, um desejo escondido e o que ficou, nos meus sentidos de alguma canção…”
Bom, isto há de querer dizer alguma coisa para a minha vida…ou melhor, para a minha e para a de todos…está muito vago. Tens que ser mais específica Mafalda!
A ver se não me esqueço de lhe dizer…
Voltando ao principio, como estava a escrever…ops…calma…parece que ela me está a cantar uma coisa mais específica…óóó diabo…já não ouvia este cd há mesmo muito tempo…bem ela cantou-me uma musica que fez muito sentido…parecia que Deus me estava a mandar rezar esta musica…é engraçado ver a maneira como Deus nos fala!
Vou para a cama…já são horas e depois de não sei quanto tempo sem escrever nada de jeito, deixo este texto sem fim, ou por outra, com a música que me fez rezar…
“Olha para Mim, deixa voar os sonhos, deixa acalmar a tormenta, senta-te um pouco aí. Olha para Mim, fica no Meu abrigo, dorme no Meu abraço e conta comigo que Eu estarei aqui. Enquanto anoitece, enquanto escurece, e os brilhos do mundo cintilam em Nós, enquanto tu sentes que se quebrou tudo, Eu estarei, sempre que te sentires só. Olha para Mim, hoje não há batalhas, hoje não há tristeza, deixa sair o Sol. Olha para Mim, fica no Meu abrigo, perde-te nos teus sonhos e conta comigo. Enquanto anoitece, enquanto escurece, e os brilhos do mundo cintilam em Nós, enquanto tu sentes que se quebrou tudo, Eu estarei, sempre que te sentires só. Enquanto anoitece, enquanto escurece, e os brilhos do mundo cintilam em Nós, enquanto tu sentes que se quebrou tudo, Eu estarei, sempre que te sentires só. Sempre que te sentires só. Sempre que te sentires só. Sempre que te sentires só.”
São as Pegadas na areia, mas com uma letra diferente?!